A FELICIDADE E O NATAL

fonte: internet

          Existem pelo menos dois natais. Um é o cristão, aquele que anuncia o nascimento do menino Jesus, o Cristo, portanto tipicamente religioso, e um outro, que é o comercial, o das compras, da ceia farta, do amigo secreto, enfim, o do capitalismo. Hoje, porém, independente de qualquer classificação, a noite realmente será feliz para uma boa parte das pessoas, pois estarão em família, trocarão presentes e haverão de comer e beber com fartura. Mas, por outro lado, nesse mesmo universo, outras inúmeras pessoas terão a mesma noite cotidiana e miserável que tiveram ao longo de todo o ano, sem família, sem presentes, sem comida ou bebida decentes. E, sabendo disso, ainda me dizem para eu ter um "Feliz Natal". Como eu poderia?

        Nessa busca para tornar-se uma pessoa melhor para o mundo, um dia a gente passa a percebê-lo como um todo único e aí passamos a enxergar o próximo realmente com mais proximidade, com vontade de que ele se sinta bem por estar vivo, assim como a gente se sente normalmente. Nisso, o outro passa a ter valor sentimental, passa a ser importante também. Então, a gente fica ofendido moralmente quando vê certas pessoas ignorarem completamente as outras o ano inteiro e somente no dia 25 de dezembro, ou na véspera dele, fazerem o que eu chamo de "caridade instantânea", doando, por exemplo, brinquedinhos baratos da China a crianças carentes, pensando, talvez, que se está fazendo um belo trabalho de benevolência. Pois não está. Na verdade, a necessidade destes pobres desamparados os farão aceitar a esmola, mas a motivação do "caridoso" é, além de hipocrisia, um tanto quanto inútil no combate da causa.

           Já que dizem que o Natal serve para a reflexão - claro que as pessoas mais cautelosas fazem isso cotidianamente - então aproveite o dia e reflita sobre a existência daqueles SERES HUMANOS, nossos semelhantes, que eu mencionei acima, que estão excluídos da "magia natalina", vivendo na penúria e, até mesmo, morrendo de fome por aí, enquanto você, a essa hora, esteja talvez apenas preocupado em se empanturrar do pernil que está dourando no forno... Ao menos lembre-se deles em suas orações, pois certamente a honestidade deste gesto será muito mais nobre do que a esmola material ofertada convenientemente.

         Me desculpe, mas eu não consigo ser feliz ante a uma realidade tão antagônica como a nossa, nem - muito menos - no Natal. Que Deus tenha piedade de nós.


Luciano Caettano

Comentários