SEJA CONTRA A PENA DE MORTE


A propósito de o tema ter vindo à tona com os acontecimentos na Indonésia, retomo-o para reiterar o meu posicionamento: sou contra a pena de morte; em qualquer situação. Respeito a soberania dos países que a aplicam, porém discordo veementemente desta prática. Pois matar bandido não é justiça, é vingança. 

Observando o exemplo de verdadeiros homens e mulheres de bem, aprendi a não ser vingativo, nem muito menos bárbaro. Em verdade, aliás, anseio que o mais rapidamente possível as pessoas passem a comungar deste pensamento, abandonando, de uma vez por todas, o passado nefando que ainda se faz presente. 

É espantoso que entre nós ainda existam pessoas com esta índole selvagem, que se acham no direito de tirar a vida de outro ser humano, como se isto fosse justo e pudesse trazer paz para elas, ou para uma coletividade. Ledo engano. 

Acontece muito de o que se sente vingado, após a execução de seu algoz, comemorar: “Menos um bandido no mundo!”. Mas “olho por olho e acabaremos todos cegos”, nos alertou Gandhi. 

Mandela, por sua vez, o primeiro presidente negro da África do Sul, passou 27 anos preso, mas quando foi homenageado pelos 20 anos de sua libertação fez questão de convidar um de seus antigos carcereiros para a celebração. Não quis vingança. Pagou o mal com o bem e, com isso, nos deixou uma grande lição de vida. 

É, sem dúvida, o respeito universal, entre nós mesmos e com o planeta, que mudará a sorte da humanidade para melhor. 

A postura humanitária de seres humanos como Mandela, Chico Xavier, Madre Teresa, Gandhi, e tantos outros, nos dá injeção de ânimo, de que mais vale ajudar, socorrer, que aniquilar o outro para se ver livre de um problema, como se, desta maneira, a vida pudesse ser tratada com tamanha simplicidade e superficialidade. 

Por isso, sou peremptoriamente contra a pena capital. Seja você também! Ainda que a vítima (a quem se quer fazer justiça) seja um parente nosso, um amigo querido; qualquer um. A nossa postura deve independer de laços de sangue ou afetividade.

Somos humanos, somos suscetíveis aos erros e, se errarmos, devemos ser punidos, talvez até com a prisão perpétua, mas jamais com a pena de morte. Além do que, nestes casos, se posteriormente ficar provada a inocência do executado, o erro torna-se irreparável. 

Portanto, assim como a escravidão, da qual existem apenas relutantes resquícios que se vão esvaindo, chegará o dia em que a pena de morte não passará de uma lamentável fase pela qual passamos nesta caminhada evolutiva. 

Encerro, deste ponto de vista, com outra citação de Gandhi, que dizia: “não existe um caminho para a paz, a paz é o caminho.” Avante!



por Luciano Caettano
advogado e funcionário público

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