Na imagem vemos um coral composto por 05 crianças e um cachorro.
As crianças de tez clara, apesar de terem a letra do recital impresso em mãos não o utilizam; elas cantam de cór. O que isso pressupõe? Que elas são intelectualmente capazes e, por derradeiro, os brancos são inteligentes, são superiores.
Entretanto, a criança de tez mais escura é retratada com um olho fechado e o outro aberto, ela lê a partitura disfarçadamente, como se fosse um trapaceiro. O que isso pressupõe? Que ela é incapaz de memorizar a letra e, por derradeiro, que os negros são ignorantes, são inferiores.
Mas não pára por aí! Eles conseguem inferiorizar ainda mais o menino negro, pois o colocam ao lado de um cachorro e este canta sem a ajuda do papel, enquanto aquele não. Ou seja, o "negrinho" é mais burro que o cachorro.
É disto que se trata a imagem aparentemente inocente: de um racismo sutil (ou nada sutil aos olhos atentos).
O racismo, um problema ainda global, é alimentado, muitas vezes, por imagens como esta do coral, perniciosamente direcionadas às crianças, que veem esse tipo de situação e tendem a reproduzi-lo em seu cotidiano.
Entretanto, e felizmente, a evolução da consciência humana tem detectado e eliminado cenas como estas do nosso cotidiano, demonstrando que o humor tem limite, e rebaixar outro ser humano para fazer graça aos seus não é engraçado, definitivamente.
Luciano Caettano

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